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LOCALIZAÇÃO 
ALCÂNTARA, 1903

A Banda dos Marinheiros da Armada, os gramofones ou «coisas do demo»

A “The Gramophone and Typewriter Company”, empresa que viria a fazer parte do registo sonoro em Portugal, chega a Lisboa em 1903, para aquela que até há pouco tempo se pensava ser a sessão de gravações mais antiga feita em Portugal, mais exactamente em Alcântara.

Em Março de 1903 desembarcava em Lisboa o súbdito de Sua Majestade Britânica Edward Mole, acompanhado de um pesado caixote que saído do porão da cidade de Liverpool era colocado num carro puxado a duas muares e conduzido por duas praças da Marinha, que o levaram para o Quartel de Marinheiros em Alcântara.

Ao popular da zona ribeirinha, o caso, natural na pacata Lisboa de então, passaria despercebido. Porém, se reparassem melhor, veriam pintado em caracteres negros “The Gramophone and Typewriter Company”.
E se estivessem a par de todos os eventos aperfeiçoados na época, ficariam surpresos.

Em Portugal, além do Paço, só meia dúzia de ricaços possuíam os complicados e estranhos aparelhos munidos de enormes campânulas que os eruditos conheciam pelo nome de gramofones, e popularmente designados por “máquinas falantes”.
Só uma casa especializada às Portas de Santo Antão os vendia. Mas, para o populacho, aquilo eram coisas do demo.

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"A 3 de Abril de 1903 a Banda dos Marinheiros da Armada grava, no Quartel do Corpo de Marinheiros, em Alcântara, aquele que é considerado o primeiro disco produzido em Portugal, um documento histórico e fonográfico raríssimo. A capa contém o selo real e a inscrição “Oferta do Maestro António Maria Chéu ao rei D. Carlos”. A gravação, efectuada pela The Gramophone and Typewriter Company, pretendia comemorar a visita de Eduardo VII de Inglaterra a Portugal, através da perenização de uma das mais notórias obras musicais relativas à identidade nacional, os Cantos Populares Portuguezes n.º2 de Rodriguez".
FONTE



"Efectivamente, a The Gramophone and Typewriter Ltd gravou em Lisboa, no primeiro trimestre de 1903, datando desse mesmo ano as matrizes dos registos de Hannover, em que aparecem 9 peças pela Banda dos Marinheiros da Armada, entre elas os Cantos Populares Portuguezes de Rodriguez: Ainda segundo Frank Andrews, o disco 60148 (Cantos Populares) terá sido um test pressing não comercializado, o que vai ao encontro da descrição de Alberto Cutileiro quando este alia a vinda do rei Edward VII com a gravação, indiciando a tentativa de abertura de um negócio inglês de venda de discos e gramofones em Lisboa.

Tivemos também acesso a um catálogo português de venda de discos para gramofone de 1906, em que aparecem 17 peças diferentes das dos registos de Hannover, interpretadas pela Banda dos Marinheiros da Armada, sendo uma delas o hino Anglo-Luso do maestro António Maria Chéu. Sabemos que as 9 peças dos registos de Hannover foram gravadas no início de 1903, mas destas outras 17 sabemos apenas que foram comercializadas em Lisboa em 1906, podendo ou não terem sido gravadas no mesmo ano.

Tendo em conta outra informação de Frank Andrews, depois de Lisboa, no início de 1903, a mesma equipa técnica da G&T gravou em Madrid, Barcelona e Valência, tendo voltado a Lisboa em 1904. Esta informação vai também ao encontro do conhecimento que já tínhamos da existência de discos de fado e de um disco da Guarda Municipal de Lisboa gravados em 1904".
FONTE



Primeiro registo fonográfico português doado à Banda dos Marinheiros da Armada

"Um disco com a primeira gravação fonográfica feita em Portugal foi doado à Banda da Armada, uma formação cujo predecessora - a Banda dos Marinheiros da Armada - nele participou interpretando "Cantos populares portugueses".O disco, gravado em 1903, foi doado por Carlos Alberto Alves da Cunha Cutileiro, filho de Alberto Cutileiro, seu proprietário original, falecido em Novembro de 2003, aos 88 anos.Na gravação, efectuada no quartel de Alcântara para The Gramophone and Typewriter Ltd., de Londres, a Banda dos Marinheiros da Armada é regida por António Maria Chéu.

Fonte da Armada assinalou à Lusa que o disco pertenceu ao rei Dom Carlos, o que o selo real e a inscrição - " Oferta do Maestro António Maria Chéu ao rei Dom Carlos" - visíveis na capa, comprovam.Na cerimónia de doação estiveram presentes, além de Carlos Cutileiro, o almirante Conde Baguinho, chefe de gabinete do chefe de estado-maior da Armada, Melo Gomes.A Banda da Armada executou, com 25 músicos, como na formação original, a peça do disco e, em seguida, com todos os seus elementos (108), a versão moderna desta mesma peça composta por João Salgueiro.A peça constante do registo fonográfico original, da autoria de um praticamente desconhecido Rodriguez - português, apesar do "z" no nome -, foi entretanto editada em CD, em 2003, pela Tradisom.

"Tanto quanto temos conhecimento" trata-se da primeira gravação de um disco em Portugal, assinalou então à Lusa o responsável da editora, José Moças.No suporte digital, além de "Cantos populares portugueses", estão registadas a versão do trabalho de Rodriguez da autoria de Jorge Salgueiro e diferentes faixas de discos já editados pela Banda da Armada".
FONTE



  VEJA A VERSÃO INTEGRAL DO CONCERTO DA BANDA DA ARMADA NAS COMEMORAÇÕES DO BICENTENÁRIO DA BARRA DE AVEIRO